Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011

Pauzinhos de marfim

Na China antiga, um jovem príncipe resolveu mandar fazer, de um pedaço de marfim muito valioso, um par de pauzinhos. Quando isto chegou ao conhecimento do rei seu pai, que era um homem muito sensato, este foi ter com ele e explicou-lhe:

— Não deves fazer isso, porque esse luxuoso par de pauzinhos pode levar-te à perdição!

O jovem príncipe ficou confuso. Não sabia se o pai falava a sério ou se estava a brincar. Mas o pai continuou:

— Quando tiveres os teus paus de marfim, verás que não ligam com a loiça de barro que usamos à mesa. Vais precisar de copos e tigelas de jade. Ora, as tigelas de jade e os paus de marfim não admitem iguarias grosseiras. Precisarás de cauda de elefante e fígado de leopardo. E quem tiver comido cauda de elefante e fígado de leopardo não vai contentar-se com vestes de cânhamo e uma casa simples e austera.

Irás precisar de fatos de seda e palácios sumptuosos. Ora, para teres tudo isto, vais arruinar as finanças do reino e os teus desejos nunca terão fim. Depressa cairás numa vida de luxo e de despesas sem limite. A desgraça irá atingir os nossos camponeses, e o reino afundar-se-á na ruína e desolação… Porque os teus paus de marfim fazem lembrar a estreita fissura no muro de uma fortaleza, que acaba por destruir toda a construção.

O jovem príncipe esqueceu o seu capricho e mais tarde veio a ser um monarca reputado pela sua grande sensatez.

Conto do filósofo chinês Han Fei, oito séculos antes da nossa era.

Domingo, 3 de Julho de 2011

O Camião do Lixo

Um dia apanhei um táxi para o aeroporto.

Estávamos a circular na faixa certa quando um carro preto saiu de repente do estacionamento direto na nossa frente.
O taxista pisou no freio bruscamente, deslizou e escapou de bater noutro carro, foi mesmo por um triz!
O motorista desse outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós nervosamente.
Mas o taxista apenas sorriu e acenou para o cara, fazendo um sinal de positivo. E ele o fez de maneira bastante amigável.
Indignado perguntei-lhe: 'Porque é que você fez isto? Este cara quase arruína o seu carro, a nós e quase nos manda para o hospital?!?!'
Foi quando o motorista do taxi me ensinou o que eu agora chamo de "A Lei do Camião de Lixo.”
Ele explicou que muitas pessoas são como camiões de lixo.
Andam por aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, de raiva, traumas e desapontamento.
À medida que as suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar e às vezes descarregam sobre a gente.
Nunca tome isso como pessoal.
Isto não é problema seu! É dele!
Apenas sorria, acene, deseje-lhes sempre o bem, e vá em frente.
Não pegue o lixo de tais pessoas e nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, EM CASA, ou nas ruas.
Fique tranquilo... respire E DEIXE O LIXEIRO PASSAR.
O princípio disso é que pessoas felizes não deixam os camiões de lixo estragar o seu dia.
A vida é muito curta, não leve lixo com você!
Limpe os sentimentos ruins, aborrecimentos do trabalho, picuinhas pessoais, ódio e frustrações.
Ame as pessoas que te tratam bem. E trate bem as que não o fazem.
A vida é dez por cento do que você faz dela e noventa por cento da maneira como você a recebe!
Tenha uma boa semana e lembre-se: livre-se dos lixos!"

Arnaldo Jabor

Quarta-feira, 22 de Junho de 2011

ISTO TAMBÉM PASSARÁ

Um poderoso rei, governante de muitos domínios, estava em tal posição de magnificência que os sábios eram simples servidores dele. Apesar disso, um dia sentiu-se confuso, chamou os seus sábios e disse:


“Não sei o motivo, mas algo me impele a procurar um certo anel que me ajude a equilibrar o meu estado de espírito. Preciso de ter um anel que deve ser aquele que me fará alegre quando eu me sentir infeliz; e que, ao mesmo tempo, ao olhá-lo, me faça triste quando eu me sentir feliz”.

Os sábios consultaram-se e colocaram-se em profunda contemplação. Finalmente chegaram a uma decisão quando às características do anel que serviria o rei.

No anel que eles imaginaram estava inscrita a frase: “ISTO TAMBÉM PASSARÁ”.

Sábado, 14 de Maio de 2011

O Pescador Feliz

Era uma vez um pescador que levou peixe fresco a um restaurante de praia onde estava um europeu.


O europeu perguntou-lhe se ele voltava para o mar a pescar mais. Respondeu que não. Como ainda era cedo, o europeu tentou explicar-lhe a lógica de mais peixe pescado, mais poderia vender, mais poderia investir, e poderia comprar um barco maior, poderia dar trabalho a mais pescadores, poderia abastecer o país todo, etc, etc, etc.

O pescador perguntou, mas porque razão havia ele de se estafar a pescar?

O outro respondeu-lhe que assim poderia mais tarde ter uma bela vida, bom dinheiro e poderia ir para um paraíso tropical e dormir umas sestas na rede na sombra da bananeira.

A resposta do pescador foi: mas é exactamente isso que eu vou fazer AGORA, não mais tarde quando for velho.

Quarta-feira, 13 de Abril de 2011

Lenda Oriental

Conta uma popular lenda do Oriente que um jovem chegou à beira de um oásis junto a um povoado e, aproximando-se de um velho, perguntou-lhe:

- Que tipo de pessoa vive neste lugar?
- Que tipo de pessoa vivia no lugar de onde você vem? - perguntou por sua vez o ancião.
- Oh, um grupo de egoístas e malvados - replicou o rapaz. Estou satisfeito por ter saído de lá.
A isso o velho replicou:
- A mesma coisa você haverá de encontrar por aqui. No mesmo dia um outro jovem se acercou do Oásis para beber água e, vendo o ancião, perguntou-lhe:
- Que tipo de pessoa vive por aqui?
O velho respondeu com a mesma pergunta:
- Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem?
O rapaz respondeu:
- Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras. Fiquei muito triste por tê-las deixado.
- O mesmo encontrarás por aqui - respondeu o ancião.
Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho :
- Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta?
Ao que o velho respondeu:
- Cada um carrega em seu coração o meio ambiente em que vive.
Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui.
Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui, porque, na verdade, a nossa atitude mental é a única coisa em nossa vida sobre a qual podemos manter controle absoluto.

Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

Preferes ter razão ou ser feliz?

Numa cidade do interior havia um homem que não se irritava e não discutia com ninguém. Ele encontrava sempre uma saída cordial, não feria ninguém nem se aborrecia com as pessoas. Morava num modesta pensão onde era admirado e querido.

Um dia, para o testar, os seus companheiros combinaram levá-lo à irritação e à discussão numa determinada noite em que iriam jantar juntos. Trataram de todos os detalhes com a empregada que seria responsável por atender a mesa reservada para a ocasião.

Assim que iniciou o jantar foi servida uma sopa deliciosa que o homem gostava muito. A empregada chegou perto dele, pela esquerda, e ele, prontamente, levou o seu prato para aquele lado, a fim de facilitar a tarefa. Mas ela serviu todos os demais e, quando chegou a vez dele, foi embora para outra mesa.

Ele esperou, calmamente e em silêncio, que ela voltasse. Quando ela se aproximou outra vez, agora pela direita, para recolher o prato, ele levou outra vez o seu prato na direção da jovem, que novamente se distanciou, ignorando-o.

Após servir todos os demais, passou junto dele com a sopeira fumegante e exalando um saboroso aroma, e como quem havia concluído a tarefa, retornou à cozinha.

Naquele momento não se ouvia qualquer ruído. Todos observavam discretamente, para ver a sua reacção. Educadamente ele chamou a empregada, que se voltou, fingindo impaciência e lhe disse:
- O que é que o senhor deseja?

Ao que ele respondeu, naturalmente:
- A senhora não me serviu a sopa.

Para o provocar ela respondeu desmentindo-o:
- Servi, sim senhor!

Ele olhou para ela, olhou para o prato vazio e limpo e ficou pensativo por alguns segundos...

Todos pensaram que ele iria iniciar uma discussão... Suspense e silêncio total.

Mas o homem surpreendeu todos, ponderando tranquilamente:
- A senhorita serviu sim, mas eu aceito um pouco mais!

Os amigos, frustrados por não terem conseguido fazê-lo discutir e se irritar, terminaram o jantar, convencidos de que nada mais faria com que aquele homem perdesse a compostura.

Sábado, 24 de Julho de 2010

O Mestre e o aprendiz

Um discípulo chegou para seu mestre e perguntou:
Porque devemos ler, estudar, considerar e refletir sobre a sabedoria se nós não conseguimos memorizar tudo e, com o tempo, acabamos esquecendo?
Somos obrigados, constantemente, a retomar o que já não está mais em nossas memórias.
O mestre não respondeu imediatamente ao discípulo.
Ele fitou o horizonte por alguns instantes e depois ordenou ao discípulo:
Pegue aquele cesto de junco, desça até o riacho, encha o cesto de água e o traga até aqui.
O discípulo olhou para o cesto sujo e achou muito estranha a ordem do mestre, mas mesmo assim obedeceu.
Pegou o cesto, desceu os cem degraus da escadaria do mosteiro até o riacho, encheu o cesto de água e começou a subir de volta.
Como o cesto era todo cheio de furos, a água foi escorrendo e quando chegou até o mestre já não restava mais nada.
O mestre perguntou-lhe:
Então, meu filho, o que você aprendeu?
O discípulo olhou para o cesto vazio e disse jocosamente:
Aprendi que cesto de junco não segura água.
O mestre ordenou-lhe que repetisse o processo de novo.
Quando o discípulo retornou com o cesto vazio outra vez, o mestre perguntou-lhe:
Então, meu filho, o que você aprendeu?
O discípulo respondeu, mas com um certo sarcasmo:
Que cesto furado não segura água!
O mestre, então, continuou ordenando que o discípulo repetisse a tarefa.
Depois da décima vez, o discípulo estava desesperadamente exausto de tanto descer e subir as escadarias.
Porém, quando o mestre lhe perguntou de novo:
Então, meu filho, e agora, o que você aprendeu?
O discípulo, olhando para dentro do cesto, percebeu admirado:
O cesto está limpo!
Apesar de não segurar a água, a repetição constante de encher o cesto acabou por lavá-lo e deixá-lo limpo.
O mestre, por fim, concluiu:
Não importa que você não consiga memorizar todos os ensinamentos adquiridos ao longo de sua vida. No processo de se conectar diversas vezes à sabedoria a sua mente e o seu coração vão se depurando.
Inúmeros preconceitos se abrandam; a intolerância cede lugar à lucidez; a destrutividade, à criatividade; a oposição e competição gratuitas e infundadas, à cooperação...
Neste processo, o homem, trabalhando no tempo e sendo continuadamente tocado pela sabedoria, vai “limpando-se” dos seus aspectos grotescos e sombrios e torna-se verdadeiramente humano!

Autor desconhecido